Caso Mariana Ferrer e revitimização

By 25 de junho de 2026 TEPT

Caso Mariana Ferrer e revitimização

Por Cecilia Zylbestajn

A decisão do STF de anular o depoimento de Mariana Ferrer reacende o debate sobre a revitimização — fenômeno em que a sobrevivente sofre novos constrangimentos por redes que deveriam acolhê-la. No âmbito jurídico, a revitimização institucional ocorre quando o tribunal inverte os papéis, transformando o processo em um escrutínio hostil sobre a moral e a vida da vítima. Em vez de buscar a verdade do fato, o sistema valida dinâmicas que perpetuam o trauma e culpam quem sofreu a violência.

Para a sobrevivente, a busca por justiça é parte essencial de sua reconstrução psicológica. Em “Truth and Repair”, Judith Herman aponta que o caminho legal tem uma dimensão terapêutica vital ao validar socialmente o sofrimento e restituir a dignidade. Contudo, para que essa cura ocorra, o sistema precisa cooperar. Quando as instituições invalidam a voz de quem denunciou, a promessa de reparação se quebra, e o tribunal deixa de ser um espaço de direito para se tornar um novo cenário de violência de gênero.

Esse cenário desestimula outras sobreviventes a buscarem ajuda. No Prove Unifesp, reforçamos que o cuidado em saúde mental pós-trauma exige um ambiente seguro, ético e livre de julgamentos. O acolhimento especializado deve ser o contraponto a essa hostilidade institucional, garantindo escuta e respeito à história de cada pessoa. A verdadeira justiça só existirá quando as instituições compreenderem que seu papel é acolher e reparar, nunca ferir novamente.

 

 

Imagem: Pexels
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